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Mundo Geek: O Rei do Jogo

Após 14 séculos, o xadrez se mantém imbatível e ganha novos adeptos durante a pandemia

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“Xeque-Mate”, assim finaliza o último lance do jogador campeão. O gesto para o derradeiro final pode ser agressivo, tranquilo ou um balançar elegante dos dedos. Charmoso, formal, passional e intelectual, o xadrez segue firme e forte em plena era dos consoles e dos jogos de realidade virtual.

As primeiras referências históricas datam do século VI (D.C.), desde então o xadrez passou por transformações, porém, a essência continua a mesma, um misto de concentração, planejamento e dedicação.

Obra de Sair Lawrence Alma-Tadema (1879) que retrata nobres egípcios jogando xadrez primitivo. (Wikipédia)


Historicamente, os grandes mestres do xadrez, como o russo Garry Kasparov, o norte-americano Bobby Fischer, e o jovem norueguês, Magnus Carlsen, atual campeão mundial, iniciaram a vida no esporte ainda bem pequenos. Há rivalidades históricas como o caso de Kasparov e Fischer.

Fãs do xadrez em todo mundo aguardam para conhecer o desafiante de Magnus Carlsen, ao título de melhor do mundo no Campeonato Mundial de Xadrez. O embate entre dois enxadristas é conhecido como ‘match’. Com a pandemia, o evento foi adiado para 2021. É organizado pela Federação Internacional de Xadrez (FIDE), entidade fundada em 1924, e sediada na Suiça, com parceria comercial da World Chess.

Bobby Fischer, 1960. Foto: Reprodução/Wikipédia
Garry Kasparov, 2003. Foto: Reprodução/Wikipédia
Magnus Carlsen, 2013. Foto: Reprodução/Wikipédia

Atualização:

No dia 24 de janeiro deste ano, aconteceu a oitava rodada do torneio Tata Steel, na cidade de Wijk aan Zee, Holanda. O match mais esperado foi entre o atual campeão mundial, o norueguês Magnus Carlsen, e o russo Andrey Esipenko. A disputa deu o que falar em todo mundo, já que Carlsen – diante da derrota iminente – abandona a partida. A vitória é um marco para Esipenko, de apenas 18 anos.

Foto: Esipenko (à esquerda) atento à jogada da lenda do xadrez Magnus Carlsen, durante o torneio Tata Steel. Crédito: Divulgação.


Xadrez Feminino

As mulheres só tiveram vez no xadrez profissional, a partir de 1927, por meio do Campeonato Mundial de Xadrez Feminino. O evento também é organizado pela FIDE.

Entre as maiores enxadristas do mundo estão a tcheca Vera Menchik (falecida no auge da fama em um ataque alemão à Londres, em 1944), a soviética Nona Gaprindashvili, e atual campeã mundial, a chinesa Ju Wenjun.

Vera Menchik. Reprodução/Chess.com
Nona Gaprindashvili. Reprodução/Calvert Journal.

Ju Wenjun. Reprodução/Ugra Chess


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Xadrez para vida

“O uso do xadrez tem diversas propriedades intelectuais, ou seja, estimula a tomada de decisão, raciocínio lógico. Estudos comprovam que crianças que têm contato com xadrez desde cedo possuem desempenho escolar melhor, explica para o site BBF, Vinicius de Abreu Marques, 42 anos. O paulistano, popularmente conhecido como Vini Marques, é Diretor de Relações Institucionais da Federação Paulista de Xadrez, e Mestre Internacional de Xadrez. De acordo com ele, a escola pode ser uma porta importante para se chegar ao universo dos enxadristas. “Inclusive em algumas escolas é usado como matéria curricular. Algumas décadas atrás havia um Plano Estadual de Educação [São Paulo], que incluía o xadrez nas escolas públicas, mas infelizmente, isso não foi mais pra frente. É realmente um jogo fantástico”, finaliza.

Em 2004, Vinicius enfrentou Bent Larsen, um dos maiores jogadores do mundo, em Pinamar (Argentina). Acervo Pessoal.

A realidade não é diferente na região Centro-Oeste do Brasil. Uma das maiores referências do Xadrez Educação, o paranaense Cleiton Marino Santana, 36 anos, desenvolveu a sua dissertação de Mestrado sobre ‘Xadrez e Inteligência. Ele também falou com o site BBF sobre a importância do xadrez:

“Para a criança e adolescente, o xadrez desenvolve áreas da inteligência ligadas a concentração. A gente chama de alto nível e baixo nível. Áreas de baixo nível estão ligadas a concentração, atenção, raciocínio. E o desenvolvimento de xadrez de alto nível é quando a criança passa a jogar com muita frequência e tem isso como estilo de vida. Melhora a memória, a inteligência e tem altos níveis escolares. Já para jovens e adultos , o xadrez é uma importante atividade cognitiva.”

Radicado em Mato Grosso, Cleiton recebeu diversos prêmios por sua atuação em pesquisas sobre Xadrez Educação, inclusive dois prêmios concedido pelo Ministério da Educação, além de outros prêmios nacionais e internacionais. Ele possui cerca de 70 trabalhos publicados sobre o tema. Foto: acervo pessoal

Cleiton também enfatiza que o esporte atinge positivamente todas as faixas etárias, “para os idosos, a prática do xadrez é muito boa porque, segundo estudos científicos, com o passar dos anos os neurônios vão perdendo as conexões. Alguns estudos apontam que quando uma pessoa tem uma patologia elevada, como alzheimer, o xadrez consegue retardar esse processo. Neste caso, o xadrez não ativa novas conexões cerebrais, mas minimiza os efeitos dos processos do alzheimer. Então, o xadrez é importante para cada fase”, finaliza.


Tendência mundial


“Outra questão que a gente precisa pontuar, além do xadrez escolar, é que o xadrez é usado frequentemente por grandes empresas para melhorar o desenvolvimento de seus executivos”, pondera Vini Marques que tem colaborado para difusão do esporte nas empresas. “Eu mesmo tive a oportunidade de ministrar diversas palestras em empresas muito grandes, que tinham o intuito de melhorar a capacidade de tomada de decisão de seus principais executivos. O mundo corporativo segue todas essas tendências”, finaliza. 

Vini Marques é Mestre Internacional, título conquistado em 2003, à época com 25 anos. É o atual campeão paulista por equipes. Ele não atua mais como jogador profissional de xadrez. Hoje, Vini é uma das maiores referências no poquer profissional.


Você quer jogar xadrez?


Nunca será tarde para aprender a jogar xadrez. “A dica é procurar um professor para aprender. Há muitos professores que atuam presencialmente e on-line também. É possível aprender xadrez de forma virtual.”, explica professor Cleiton.

Foto do torneio aberto de Linares( Espanha) em 1998. Foto: Vini Marques/Acervo Pessoal.


O Gambito da Rainha


É inegável que a série ‘O Gambito da Rainha”, lançado em outubro do ano passado no canal de streaming Netflix, arrebatou fãs em todo mundo.

O Mestre Internacional Vini Marques é testemunha do fenômeno da série na procura pelo xadrez:

“Realmente teve aumento de cinco vezes o tamanho do mercado, em número de jogadores registrados nas principais plataformas digitais, também em número de compras de materiais de xadrez seja tabuleiro e peça, ou livros. Realmente a série foi um “boom” do xadrez”.

O efeito “O Gambito da Rainha”, também foi avassalador em Mato Grosso, como aponta o premiado professor de xadrez, Cleiton Santana:

“Após o lançamento da série, nós tivemos uma procura alta por materiais para jogar xadrez, como tabuleiros e peças. Nossa loja zerou o estoque. Também houve grande procura por aprender a jogar xadrez, assim como participar de clubes relacionados ao xadrez, porém, com a pandemia a gente redirecionou essas pessoas para que pudessem jogar xadrez on-line, onde há um grupo da Federação Mato-grossense de Xadrez.”

De acordo com o streaming, o ‘Gambito da Rainha’ “é a maior minissérie de todos os tempos, desde a estreia na Netflix em outubro de 2020″.

“Na Netflix, batemos um recorde com 62 milhões de residências assistindo a O Gambito da Rainha nos primeiros 28 dias. O alcance mundial é extraordinário, da França à Austrália, passando pela Rússia, Hong Kong e Taiwan. De fato, a série ficou no Top 10 em 92 países e ocupou o 1º lugar em 63, incluindo o Reino Unido, Argentina, Israel e África do Sul”, segundo comunicado oficial.

Outras façanhas da série pelo mundo*:

*O romance The Queen’s Gambit agora está na lista de best-sellers do The New York Times  — 37 anos depois do seu lançamento;

* As pesquisas no Google por xadrez dobraram, e as buscas por “como jogar xadrez” atingiram seu pico em nove anos;

*As buscas por “jogos de xadrez” no eBay subiram 250%, e a Goliath Games afirma que as vendas de xadrez aumentaram mais de 170%; e

*O site Chess.com viu a quantidade de novos usuários quintuplicar.

*Fonte: Netflix (23/11/20)


“Atualmente a gente tem transmissões on-line devido ao sucesso da série ‘O Gambito da Rainha”, de até 10 mil pessoas assistindo streamings brasileiros. É um número muito acima do que era comum”, enfatiza Vini. Deixar apenas na conta da série o sucesso do xadrez em 2020, seria minimizar o esporte secular. Talvez o maior responsável seja o norueguês Magnus Carlsen, atual campeão mundial. “Ele é um cara que faz muito bem para o xadrez. Ele pratica esportes e não tem aquele esteriótipo que muita gente tem de um jogador de xadrez. Ele institui outra cultura para os que praticam o xadrez”, finaliza.

Outro exímio jogador é um dos ídolos de Cleiton, Bobby Fisher. “Foi campeão mundial, se tornou mestre antes dos 16 anos. É o meu ídolo porque entendo que ele se dedicou muito ao xadrez, e a gente que vive essa arte, precisa de dedicação também.”

Afinal de contas, o que é ‘Gambito da Rainha’?

Para início de conversa, o termo usual no xadrez é ‘gambito da dama’. De acordo com Vini Marques, “é um tipo de estratégia no xadrez onde o jogador fica em desvantagem material por alguma compensação. É uma das aberturas mais populares no xadrez. É um tipo de situação comum chamado ‘gambito da dama’, não se usa o termo ‘rainha’.

O livro que inspirou a série da Netflix, tem como título original ‘The Queen’s Gambit’. No Brasil, a tradução levou ao pé da letra e ficou ‘O Gambito da Rainha’, desconsiderando que o termo não existe no xadrez.




Saiba mais


Federação Mato-grossense de Xadrez (Presidente: Higor Carlos de Almeida)

Federação Paulista de Xadrez (Presidente: Christian van Riemsdijk)

Instagram da Federação Paulista de xadrez : @fpxnovagestao


Cleiton Santana – redes sociais: https://www.facebook.com/cleiton.marinosantana https://www.instagram.com/cleitonsantana_/

Vini Marques – rede social: @vinimarques1978

Foto de Capa: W.J.Pilsak (Wikipédia)

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